A presença de animais abandonados ou errantes é uma realidade, notadamente nos centros urbanos. Em lugares abertos e de fácil acesso, como os campi das universidades, essa questão exige reflexão especial, pois são espaços amplos e com elementos naturais ideais para o habitat desses animais. Soma-se a isso a presença de pessoas da comunidade universitária e externa que circulam pelo campus que convivem com esses animais.

Na UEPG, há cães com o perfil de “Cão Comunitário”, animais cuidados informalmente por alunos, professores e funcionários, bem como um número variável de cães visitantes que aparecem por se tratar de um espaço de fácil acesso, sem barreiras físicas, ou por abandono.

A construção de um canil para contenção dos animais, para que não fiquem soltos pelo Campus, é uma solução simplista e inviável, pois que apenas oneraria o poder público, como já observado em outros locais.

O resultado observado quando se adota esta estratégia já é bem estabelecido, ou seja, retirando os animais do ambiente onde já vivem há anos, outros irão ocupar aquele espaço pela simples falta de contenção física que impeça o acesso. Os próprios cães residentes no Campus formam uma espécie de barreira sanitária, ou seja, os cães mais antigos protegem o seu território e evitam a entrada de outros (bravios, doentes e não castrados). Além disso, os animais que residem no Campus estando castrados, vacinados e identificados garantem segurança da comunidade universitária.

Considerando-se a educação como a melhor ferramenta para a mudança de comportamentos e atitudes, a implantação de ações humanitárias no cuidados com os animais imediatamente disponibiliza recursos metodológicos que podem ser integrados aos programas curriculares. Ainda, tais mudanças se sustentam em valores de compaixão, empatia e respeito. As ações humanitárias contribuem com a formação de profissionais com uma visão holística e, portanto, de respeito a todos os seres vivos.

Uma vez que o bem-estar dos cães está garantido pela legislação vigente e a comunidade os aceita, é possível introduzir medidas para controlá-los in situ, na condição de cães comunitários (ICAM, 2007). Neste contexto, foi criado no Brasil um protocolo inédito para nortear a implantação do Programa “Cão Comunitário” e servir como estratégia adicional de manejo populacional de cães de rua (ALMEIDA, 2017).

Além disso, os cães comunitários podem ser vistos como sentinelas ambientais (CONSTANTINO et al., 2017), funcionando como alertas para doenças acidentais ou não acidentais, como os maus-tratos, que estão relacionados à sanidade mental da população (ALMEIDA, 2017). O manejo inclui o acompanhamento dos animais visando defendê-los de maus tratos, promover o seu bem-estar, evitar a reprodução pela castração e cuidados com a saúde, minimizando a possível transmissão de doenças e promovendo a Saúde Coletiva no Campus Uvaranas e entorno, incluindo o Hospital Universitário.

Ressaltando que a UEPG, estando na vanguarda de ações educativas, pode adotar medidas de controle populacional de cães em seu espaço visando a diminuição de acidentes e transmissão de doenças, bem como difundir o conceito de bem-estar animal. Além disso, como a UEPG desenvolve vários projetos de extensão relacionados à saúde humana, com esse trabalho pretende-se ampliar as ações ao bem-estar animal. Portanto, a execução desse evento de extensão objetiva apresentar protocolos de cuidados com os cães residentes no Campus Uvaranas, com a contribuição da comunidade universitária, através de ações de divulgação e implantação do Programa “Cão Comunitário”.

Diante da realidade da presença de cães no espaço do Campus da UEPG, torna-se necessário orientar a comunidade sobre a conduta com esses animais, em particular o “Cão Comunitário”, através dos meios de informação e capacitação/formação do conjunto de políticas estaduais e municipais de defesa e proteção aos animais, com conceituação clara a partir de orientação técnico-científica e em harmonia com as bases legais e normativas das leis federal, estadual e municipal.

O projeto “Estudo da dinâmica populacional dos cães comunitários da Universidade Estadual de Ponta Grossa UEPG, políticas para a melhoria da qualidade de vida animal e social 1ª Edição” está disponível integralmente no link.